Precisamos pensar conteúdo com quem produz conteúdo (entrevista @NilMoretto pra M&M)

Isso era para ser um texto normal para compartilhar a matéria no Facebook, mas acontece que tinha mais para falar do que imaginava. Então, só por hoje, fica que vai ter textão.

 

Olha, tem muito tempo que tô aí nesse mundo de xoxo media (quando ainda usavam esse “apelido”), esses dias fui fazer as contas e já são 7 anos de mercado digital. Então, já posso ser aquelas tiazinhas que dizem “no meu tempo, não era assim”.

Mas o que resolvi fazer hoje, é uma conversa/análise/questionamento de um tema que gosto muito e que é o novo hype da internet: os influenciadores.

O Meio e Mensagem lançou um vídeo com a Nilce Moretto (dos canais Cadê a Chave? e Coisa de Nerd), onde usaram o fatídico título:Influenciadores falam com quem a TV já não fala, mas não se engane pelo clickbait e se você produz conteúdo para internet ou trabalha em agência que contrata produtor de conteúdo, veja esse vídeo!

A Nilce e o Leon possuem dois grandes canais no Youtube, o Coisa de Nerd e o Cadê a Chave, um meio que funciona como spin-off do outro, são canais maravilhosos que valem a inscrição e o “tapa no dedão”.

Primeiramente, eu queria dizer que eu acompanho MUITOS youtubers. Vi a comunidade gringa crescer ao redor do Harry Potter, vi o formato de “vlog” nascer com os Vlogbrothers, as Five Awesome Girls e a Grace Helbig (aka Daily Grace), e ano passado fiz um projeto estudando o Capital Social da Niina Secrets (que pode ser considerada uma das primeiras youtubers de moda do Brasil).

Agora você deve tá se perguntando, mas e daí?

Bom, eu vi o vídeo da Nilce e muita coisa que ela disse é extremamente relevante para o mercado e para os produtores de conteúdo. Sabe por que? Porque muita gente acha que produzir conteúdo na internet é fácil. E não é!

“Para produzir conteúdo, você tem que ter conteúdo! (…) produzir conteúdo implica em pesquisa, estudo, informação de repertório. (…) Não vá achando que vai ser fácil e não perca de vista o seu objetivo.” Nilce Morreto

E o conteúdo, minha gente, é o segredo. Mas ele não é tudo! Você pode ter o melhor conteúdo, mas se ele não passar sinceridade, certamente passará pelo scroll e não será clicado. Se o público realmente quisesse ficção, ele estaria sentado no sofá fazendo maratona das séries de Shonda Rhimes.

Quando o usuário consome conteúdo online, principalmente os vídeos, ele está procurando conteúdo, mas também quer autenticidade. Vejo muita gente dizendo que os “jovens” não assistem vídeo de 10 minutos, mas a realidade é que assistem sim, mas só assistem se eles acreditarem na mensagem. Os canais da Nilce e do Leon são provas disso. No Coisa de Nerd dessa semana teve um vídeo sobre índios com 11:30, sabe quantas pessoas viram?

997.596 visualizações! É o vídeo mais visto do canal? Não, mas ele mostra uma coisa, o Leon, e consequentemente a Nilce, criaram uma comunidade tão forte que um vídeo – que é praticamente uma aula de história – teve quase 1 milhão de visualizações. E só a caso de comparação, o vídeo mais visto do CdN (tirando o trailer do canal, que teve grande divulgação de mídia em geral) é o CdN Animado com mais de 4,5 milhões de visualizações.

E Nilce explica como eles chegaram nessa comunidade:

“Quando as pessoas nos viram como pessoas com quem elas se relacionavam e se identificavam, eu acho que ali a gente construiu um novo relacionamento com o público. Não era só a pessoa longe fazendo jogo, mas alguém como a gente, que tá se relacionando com a gente na internet.” Nilce Morreto

E assim, eles não estão inventando a roda não, tá? A internet pode dar voz a qualquer pessoa com acesso à conexão e uma conta em rede social. Mas para se chegar ao “sucesso”, existem diversos fatores que precisam trabalhar em sintonia para isso acontecer. É preciso ter o conteúdo, relacionamento, realidade e frequência. Porque o público, ah, o público existe. Ele tá aí e ele não é só “jovem”. As pessoas adoram dizer que na internet só tem jovem, que você precisa produzir conteúdo pro jovem, mas quem é esse jovem? Você realmente precisa falar com esse jovem? Esse jovem quer falar com você?

“Mais de metade da nossa audiência tem entre 17 e 35 anos, então a gente tá conversando com pessoas que estão no nosso universo de experiência. Elas experimentam aquilo que a gente experimenta, são pessoas que se identificam com o que a gente faz.” Nilce Morreto

Qualquer produtor de conteúdo ou marca, que queira dialogar na internet, porque a internet é feita para relacionamento, não adianta fazer como a Xuxa no Twitter, tem que fazer como a Xuxa no Facebook!

“A nossa relação com eles não é de fã e celebridade, não é isso, a gente construiu uma comunidade com eles. É uma coisa tão natural, que advém desse trabalho autêntico que você faz. Eu não to maquiando o que eu sou e eu não estou com a intenção de moldar as mentes de ninguém, não é uma coisa meio ‘Pinky e o Cérebro’, eu estou mostrando algo que é da nossa realidade e a verdade que esse conteúdo passa é que cria a simpatia, a cumplicidade e identificação. (…) é algo mais natural, mais orgânico (…)” Nilce Morreto

E sabe o que é mais doido disso tudo?

Tudo que ela falou é algo que já vem sendo estudado pela Academia há muito tempo. Existem pesquisas, análises e comprovações disso tudo, mas muitos optam pelo achismo, pelos números absolutos, sem pensar no seu público-alvo e no público do influenciador. E aí a campanha não funciona como deveria e culpam os “influenciadores” ou ganha muita visibilidade e no fim não gera o ROI pro cliente e o pior, não gera experiência relevante para o público. Por isso, muitas agências já reconhecem que é importante haver diálogo entre o mercado e a Academia, não só para conhecer o público através das técnicas de monitoramento, mas também através de reflexões e tendências apontadas em estudos científicos.

E ah, uma coisa! Também é trabalho do influenciador se posicionar. Pesquisar sobre a marca que quer anunciar e verificar se ela realmente se comunica com o público do canal e tenha o respeito com o conteúdo e com as pessoas que o consomem.

Mas é isso, a ideia desse texto foi compartilhar algumas ideias com vocês sobre os influenciadores e eu vejo essa entrevista da Nilce como algo que deve ser visto e analisado não só pelo mercado, mas também servir como um problema de pesquisa interessante.

Então, confere aí a entrevista!

obs: obrigada, Eloy e Jeniffer pela revisão e ajuste das ideas! =D

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