O dia em que o livro ‘Por Escrito’ da Elvira Vigna entrou em minha vida pra ficar

Quinta-feira, 19:19, depois de uma carona até a metade do seu destino, decide entrar em uma livraria. Do nada. Aquelas vozes que aparecem e dizem: “você precisa ir”.


E ela escuta essa voz, já são 19:23, o trabalho já está feito e não tem nada que a impeça. Ela entra na livraria com uma vontade de não sei o que, é um encontro marcado. Um encontro com o acaso.
19:25, já na seção de literatura brasileira, chega um atendente:
“Quer ajuda?”
“Não, estou só olhando.”
“Certo, se precisar estou aqui.”
“Obrigada”
E segue com o seu encontro. Olhando os títulos. As capas. As sugestões em destaque. Ela segue. Procurando algo, que ainda não sabe o que é, mas que está para acontecer.
19:27, envia uma sugestão de leitura para um amigo, por Whatsapp, “Entre Nós”.
19:28, o primeiro encontro, “Nada a Dizer”. Ela compartilha com o mesmo grupo pelo Whatsapp, “amei essa história”.
19:29, “Por Escrito”, o segundo encontro e claro, compartilha “procurem por essa escritora, Elvira Vigna”. O segundo encontro é sempre melhor. Vocês já se conhecem. Já passou da fase do nervosismo. É mais casual. É mais sincero.
19:31 compartilha”Estou entre dois livros”. Um é paixão, mas o outro, ela não sabe explicar, é amor a segunda vista. É o que ela estava procurando. Mesmo sem querer.
19:37, joga o nome do livro no Google. Precisa de uma segunda opinião, além do acaso. Precisa de um empurrãozinho. Enconta uma resenha “esse livro é foda pra caralho.”
19:42, folheia o livro de novo. Mesmo sendo além do seu limite de compras, decide, “vou levar”.
19:56 compartilha com os amigos:
“O papel dele é gostoso. Tem cara de livro bom, daqueles que você tem para sempre”
21:54, já em casa. Começa a leitura. O terceiro encontro. Só vocês dois. Sem notificações. E então acontece, a primeira declaração:

“É a ideia de fim. Por que quando acabam, as coisas, tenho essa vontade de que não acabem, mesmo quando, como é o caso aqui, nesse dia e hoje, eu aqui sentada, as coisas não propriamente acabem, mas são acabadas, e por mim, que fico então com uma vontade de que não acabem.”*

22:01, é definitivo. É amor. Ela decide que era aquilo que faltava em sua estante. Era esse livro que faltava em sua vida.
E então, às 22:12, mais uma declaração. A definitiva, que define todo o processo de ausência que a partir de agora, não mais existe:

“Então, o que tomo nota no papelzinho é na verdade uma ausência de uma ausência. (…) Mas sei por que tomo nota das ausências, eu sei. É isso, isso aqui que escrevo. É uma questão do que está na nossa frente e nem notamos, o que está ausente mas presente. Qual dos ontens será o amanhã”**

E assim, às 23:10, a ausência não mais existe. Ela vai pra cama com um novo amor. Um novo ânimo. E decide: serendipity!

*Página 10
**Página 15

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